Amazônia - o novo trabalho do fotógrafo Edu Simões
Escrito por Letra Editorial   
 
 
 
 
Paisagens e retratos surpreendentes e enigmáticos compõem trabalho do artista, em preto e branco, apresentado pelo Ministério da Cultura, editado pela Terra Virgem Editora e com patrocínio da Natura

Foram cinco expedições para a Amazônia realizadas em 2011, com uma câmera tradicional Hasselblad, de formato quadrado, e 474 filmes preto e branco. “Queria fazer um trabalho que não fosse jornalístico, documental, realista, mas uma viagem pessoal que surgisse exclusivamente da vivência direta com a região amazônica e com as pessoas que se encontram lá”, conta o fotógrafo Edu Simões. “Conheci a região nos anos 80 e estive lá muitas vezes. Sabia que um dia teria de voltar para mostrar a Amazônia que me fascina e me impressiona: a floresta, as águas, as pessoas”.

O livro Amazônia propõe um caminho fotográfico a ser percorrido pelo leitor: a câmera começa em paisagens abertas, com muito céu e água; depois aproxima-se dos peixes, dos portos, das cidades e seus habitantes. A partir daí, surge a mata, com árvores e troncos gigantescos, florestas inundadas e igapós, e os retratos de quem vive dessa riqueza – os catadores de caranguejos, o vigia e o carregador o imenso peixe Pirarucu, os castanheiros do Iratapuru.

Entre as fotografias que retratam o interior das casas de habitantes, há o quarto de Chico Mendes, símbolo da luta pela preservação do Seringal Cachoeira. Em Vitória do Jari, uma cidade quase inteira construída sobre palafitas, destaca-se o retrato de um garoto boiando em águas paradas. Na Praia de Outeiro, próximo a Belém, um rapaz fuma seu cigarro com metade de seu corpo coberto pelas águas do rio.

Para alcançar os lugares de difícil acesso apresentados no livro, Edu Simões utilizou diversos tipos de transporte, alguns pouco convencionais, como a rabeta, na qual chegou a passar mais de nove horas; voou de monomotor sobre o Arquipélago de Anavilhanas, composto por 400 ilhas; passou dez dias embarcado no Taba, percorrendo os rios Negro e Solimões. “Para chegar ao castanhal do rio Iratapuru, viajamos dois dias inteiros, dormindo uma noite no meio do percurso. Atravessamos cinco cachoeiras, sendo que uma embarcação virou e a outra, quase”, conta o fotógrafo. "Uma vez lá, ficamos acampados outros 10 dias na beira do rio".
 
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